quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Quadrinhos comparados: Homens Grilos, Siderais e Salamandras

 A metalinguagem é algo que anda de mãos dadas com as histórias em quadrinhos. Mauricio de Sousa em suas primeiras tiras calcou todo o seu humor na relação dos personagens com o meio em que eram representados. 


Outro exemplo é o roteirista Cadu Simões, que usa largamente esse recurso em Homem-Grilo & Sideralman, publicação independente que interpõe os dois super-heróis, um criação do próprio Cadu, e outro de Will, que assina o desenhos da edição.

Na história, Homem-Grile e Sideralman se encontram, lutam, juntam forças e enfrentam os inimigos igualmente alinhados. Ou não, discutem sobre a jornada do herói em uma mesa de bar. Tudo na narrativa dos crossovers de super-heróis é motivo de piada, e o resultado é uma divertida paródia metalinguística.

Impossível não comparar o gibi com o mangá Lucifer e o Martelo, de Satoshi Mizukami. Nesse mangá, o autor também brinca com os estereótipos da jornada do herói, misturando com os típicos clichês das HQs japonesas.

O grande charme dessas duas HQs é a metalinguagem, como a narrativa dos gibis funciona como uma força motriz para as obras.

Logicamente, que os muitos volumes de Lucifer e o Martelo desenvolvem mais profundamente uma trama que as poucas páginas de HG & S simplesmente não tem espaço, Mas com pontos de partida tão semelhantes, é quase impossível não compará-los;