segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Resenha: Entrevista com o Vampiro


Sinopse: Louis é um jovem franco-americano na Louisiana do século XVIII que se martiriza pela morte do irmão. Sua vida está em ruínas quando conhece o vampiro Lestat, que o transforma em um ser das trevas como ele. Os dois passam a viver juntos nessa condição, mas Lestat é possessivo e a relação deles logo se estremecerá com a aparição de outros vampiros.

Análise: As crônicas vampirescas de Anne Rice já eram bem populares quando a adaptação de Entrevista com o Vampiro foi lançada em 1994, estrelada por Brad Pitt, Tom Cruise, Kirsten Dunst e Antonio Banderas. A partir daí os livros dela viraram uma verdadeira febre.

Com a moda de Crepúsculo, muita gente re-encontrou os já clássicos livros da escritora. Só que diferentemente do que se vê hoje em dia, Anne Rice tem uma literatura riquíssima, com personagens complexos e situações muito maduras. A relação entre Louis, Lestat, Claudia e Armand é repleta de jogos emocionais e torturas psicológicas. Muito longe das comédias românticas emotivas de séries como Crepúsculo.

A tradução da edição nacional é assinada por ninguém menos que Clarice Lispector, o que garante a qualidade literária do texto. A edição, entretanto, confunde um pouco o leitor, pois é difícil saber quem fala o quê nos diálogos. Muitas vezes, Louis conversa com seu interlocutor que o entrevista e parece que é um diálogo de sua narrativa. Uma possível solução para isso seria criar hierarquias entre travessões e aspas, facilitando o entendimento do leitor.

A história em si é bem construída, e, naturalmente, tem muitos mais elementos do que na adaptação cinematográfica. Além dos personagens com muitas dimensões, os episódios narrados por Louis expõe a fragilidade da condição humana, e de sua solidão, potencializada pela vampirização.

Por tudo isso, é um livro muito bom, que merece a leitura de fã do gênero.

Nerdshop
Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice (Rocco)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Festa do Livro da USP

A partir de hoje, até sexta-feira, 26 de novembro, acontece a 12ª Festa do Livro da USP, entre às 9h e 21h. Confira a lista completa abaixo, com destaque para editoras com quadrinhos no catálogo:

1 7 LETRAS
2 A.C.A. MUSEU LASAR SEGALL
3 AD HOMINEM
4 AEROPLANO EDITORA
5 ALAMEDA EDITORIAL
6 ALGOL EDITORA
7 ANNABLUME EDITORA
8 ANPOCS
9 ARTES & OFÍCIOS
10 ASSOCIAÇÃO EDITORIAL HUMANITAS
11 ASSOCIAÇÃO SCIENTIAE STUDIA
12 ATELIÊ EDITORIAL
13 AUTÊNTICA EDITORA
14 AZOUGUE EDITORIAL
15 BALÃO EDITORIAL
16 BEM-TE-VI PRODUÇÕES LITERÁRIAS
17 BERLENDIS & VERTECCHIA EDITORES
18 BOITEMPO EDITORIAL
19 BRINQUE-BOOK
20 CALLIS EDITORA
21 CAPIVARA EDITORA
22 CASA DA PALAVRA PRODUÇÃO EDITORIAL
23 CIRANDA CULTURAL
24 COM-ARTE (ECA/USP)
25 COMPANHIA DAS LETRAS
26 CONRAD EDITORA

27 CONTRAPONTO EDITORA
28 COSAC NAIFY
29 DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA
30 DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA DA USP
31 DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
32 DISCURSO EDITORIAL
33 DUNA DUETO
34 EDIÇÕES PINAKOTHEKE
35 EDIÇÕES ROSARI
36 EDIPRO
37 EDITORA 34
38 EDITORA ALEPH
39 EDITORA ALFA-ÔMEGA
40 EDITORA BARCAROLLA
41 EDITORA BECA
42 EDITORA BIRUTA
43 EDITORA BLUCHER
44 EDITORA BOCCATO
45 EDITORA BRASILIENSE
46 EDITORA CENTAURO
47 EDITORA DA FIEO
48 EDITORA DA UFF
49 EDITORA DA UFRJ
50 EDITORA DA UNICAMP
51 EDITORA EDUSC
52 EDITORA ESTAÇÃO LIBERDADE
53 EDITORA EXPRESSÃO POPULAR
54 EDITORA FIOCRUZ
55 EDITORA FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO
56 EDITORA GARAMOND
57 EDITORA GIORDANO
58 EDITORA GIRASSOL
59 EDITORA GLOBO
60 EDITORA HEDRA
61 EDITORA HORIZONTE
62 EDITORA HUCITEC
63 EDITORA ÍBIS
64 EDITORA ILUMINURAS
65 EDITORA IMAGINÁRIO
66 EDITORA INSTITUTO PAULO FREIRE
67 EDITORA LANDSCAPE
68 EDITORA LIMIAR
69 EDITORA NARRATIVA UM
70 EDITORA NOVA ALEXANDRIA
71 EDITORA PAPAGAIO
72 EDITORA PEIRÓPOLIS
73 EDITORA PERSPECTIVA
74 EDITORA SUNDERMANN
75 EDITORA TERCEIRO NOME
76 EDITORA TYKHÉ
77 EDITORA UEPG
78 EDITORA UFMG
79 EDITORA UFPR
80 EDITORA UNESP
81 EDITORA UNIFESP
82 EDITORA VEREDAS
83 EDITORA WMF
84 EDUEL - EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA
85 EDUEM - EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ
86 EDUERJ - EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO
87 EDUFU - EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
88 EDUSP - EDITORA DA UNIVERSIDADE DE SP
89 ESCRITURAS EDITORA
90 FONDO DE CULTURA ECONOMICA
90 GLOBAL E GAIA EDITORA
92 GRUPO ÁTOMO & ALÍNEA
93 HUMANITAS - FFLCH USP
94 IEA - USP
95 IEB - INSTITUTO DE ESTUDOS BRASILEIROS
96 IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO DE SP
97 INSTITUTO MOREIRA SALES
98 INSTITUTO PIAGET
99 JM
100 LANDY EDITORA
101 LAZULI EDITORA
102 LEITURA MÉDICA
103 LETRA E VOZ
104 LBI
105 LÍNGUA GERAL
106 LPM
107 MANATI PRODUÇÕES EDITORIAIS
108 MARTINS MARTINS FONTES EDITORA
109 MAUAD EDITORA
110 MUSA EDITORA
111 MUSEU PAULISTA
112 NANKIN EDITORIAL
113 NOVA FRONTEIRA
114 ODYSSEUS EDITORA
115 OFICINA DE TEXTOS
116 OFÍCIO DAS PALAVRAS
117 OURO SOBRE AZUL
118 PALAS ATHENA EDITORA
119 PALLAS EDITORA
120 PANDAS BOOKS
121 PAPIRUS EDITORA
122 PAULINAS EDITORA
123 PAULUS
124 PAZ E TERRA
125 PUBLIFOLHA
126 REVISTA USP / CCS
127 ROMANO GUERRA EDITORA
128 SÁ EDITORA
129 TASCHEN
130 TERRA VIRGEM EDITORA
131 VIA LETTERA EDITORA
132 VIEIRA & LENT
133 XAMÃ EDITORA

terça-feira, 23 de novembro de 2010

sábado, 20 de novembro de 2010

Babylon 5 em quadrinhos

Sinopse: Histórias em quadrinhos do universo da série Babylon 5, contando aventuras que complementam a série cult de TV.

Análise: A década de 1990 viu uma proliferação de séries de ficção científica que apresentavam humanos interagindo com alienígenas. Uma delas foi Babylon 5, criada pelo então ilustre desconhecido J. Michael Straczynski em 1993.

O leitor de quadrinhos deve se lembrar da fase de Straczynski em Homem-Aranha, repleta de altos e baixos, da insossa Rising Stars ou mesmo da razoável Midnight Nation. Mas Babylon 5 não tem absolutamente nada a ver com esses trabalhos, e trata-se de uma obra de grande magnitude do autor.

Straczynski escreveu 96 dos 110 episódios da série, convidando uns poucos autores, como Neil Gaiman, para roteirizar os outros. Assim, manteve um controle criativo sem igual, que amarrou perfeitamente todas as temporadas.

Só que não havia espaço para tudo na televisão, e o autor, que já flertava com os quadrinhos, expandiu seu universo na arte sequencial também.

Foram dois títulos em HQ, a primeira lançada junto com a segunda temporada, em 1995, com 11 números; e a segunda a minissérie em três edições In Valen's Name, de 1998, publicada logo após a quarta temporada.

Esta resenha é sobre o primeiro número da série de 1995. A história se propõe a explicar o que aconteceu no intervalo de tempo em que o Capitão Sinclair saiu da estação Babylon 5 e se tornou embaixador em Minbar.

Como um episódio da série, o roteiro se amarra perfeitamente à saga, mas é ininteligível para quem não sabe nada de Babylon 5.

Já os desenhos de Michael Netzer são ruins. Seu traço é irregular, oscilando mesmo nos rostos baseados em feições de atores. A arte é o ponto fraco da revista.

A edição é voltada para agradar ao máximo aos fãs nerds, com uma matéria, nas páginas finais, sobre as naves da série e sua produção digital.

Esta HQ nunca chegou ao Brasil, e mesmo volumes importados são difíceis de encontrar em sebos ou em sites norte-americanos de leilão, como o E-bay.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Refeição

Quer fazer uma refeição bem nerd? Veja essa apenas com parte de personagens do game Super Mário.


Confira a lista completa clicando aqui.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Death Dealer


Sinopse: Na mítica Iparsia, os reinos de Oro e Edani estão em guerra. Enquanto uma ordem mística tenta restabelecer a paz, surge na figura de um bárbaro misterioso o Death Dealer, uma criatura que mata guerreiros de ambos os lados.

Análise: Em 2007, a Image Comics lançou a minissérie em seis edições Death Dealer, que resgatava um personagem criado por Frank Frazetta na década de 1970, e que já havia ganhado uma versão nos quadrinhos numa minissérie da Verotik, de Glen Danzig, além de ter sido tema de capa de CDs, pinturas, livros e aventuras de RPG.

A série teve seu tempo nas comic shops e depois caiu no esquecimento. E lá estaria não se a distribuidora de quadrinhos para plataformas móveis (como celulares e Ipods) Iverse Comics não a tivesse resgatado.

A empresa disponibilizou no último mês de julho, gratuitamente na iTunes Store, a primeira edição da HQ, que vem tendo um expressivo número de downloads. A estratégia é colocar o primeiro número grátis e, se tiver sucesso, para "baixar" os próximos será preciso pagar.

Além de Death Dealer, há diversas outras HQs para download no iTunes, como os quadrinhos da Archie Comics, Star Trek, Farscape, Flash Gordon, mangás e outros títulos. O bom é que há muita coisa de graça ou a preços módicos, raramente chegando a mais de 1 dólar.

Para ser lida no dispositivo móvel, a HQ sofre uma adaptação, passando a ser dividida em telas em vez de páginas. Essas telas quase sempre têm de um a, no máximo, três quadrinhos. Assim, a HQ ganha uma fluência diferente e a narrativa visual fica mais emoldurada pelos requadros.

No caso de Death Dealer, o resultado é bom. Quase todas as telas são boas adaptações das páginas, mas algumas que três requadros ficam um pouco apertadas.

Nesta primeira edição apenas uma imagem quebra a leitura horizontal dos quadrinhos, e é exatamente ela o ponto negativo da adaptação, pois o balão de fala fica ilegível.

Contribui para a leitura agradável o fato de o roteiro de Joshua Ortega ser interessante e repleto de ação, apesar de não primar pela originalidade.

A arte de Nat Jones é competente e casou bem com a trama. Mas o grande destaque é a colorização de Jay Fotos.

A paleta escura utilizada pelo artista dá o clima ideal da história e ajuda na leitura da HQ na tela do dispositivo móvel.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

História do Mundo por Milo Manara

Em ritmo de Rio Comicon, confiram uma HQ online do sempre genial Milo Manara, mostrando a evolução do mundo (só para maiores de 18 anos) clicando aqui.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

X-Men & Homem-Aranha

Sinopse: Ao longo da história, Sr. Sinistro e Kraven, o caçador fizeram uma sórdida parceria para derrotar seus inimigos X-Men e Homem-Aranha.

Análise: Nos crossovers famosos de super-heróis a história costuma ser padronizada: os heróis se encontram, se enfrentam e depois se unem para derrotar uma parceria de seus arquinimigos, que já se entenderam há tempo, pois aparentemente é muito mais fácil entrar num acordo quando se pratica a vilania.

Em X-Men & Homem-Aranha, com algumas variações, a história não é diferente. O interesse fica por conta da abordagem e da roupagem que os autores Christos Gage (roteiro) e Mario Alberti (arte) conferiram as histórias.

Originalmente publicada como uma minissérie em quatro partes, sendo que cada edição da Panini compila duas originais em uma única revista, em cada número há um encontro entre os personagens-título em diferentes momentos da história deles. Nesses encontros, um longo plano de Sr. Sinistro e Kraven vai sendo arquitetado.

Na primeira história, o amigão da vizinhança se encontra com os filhos do átomo originais em uma batalha contra Blob e Kraven num bar. Antes do confronto com os vilões, os jovens se estranham em meio a flertes e danças numa festa juvenil.

A segunda história mostra o Aranha de uniforme negro, logo após a saga a Última Caçada de Kraven, descobrindo entre os arquivos do vilão um plano do Sr. Sinistro para pegar o DNA dos X-Men. Ele vai atrás da equipe da época liderada por Tempestade, sem nenhum dos integrantes originais e que acabara de passar pelo Massacre de Mutantes. Após firmar nova parceria, o grupo parte para enfrentar os Carrascos e tentar deter o plano do Sr. Sinistro.

Como dito, o roteirista Christos Gage não mexeu muito no tradicional enredo de crossovers, mas fez um bom trabalho de pesquisa, deixando cada uma das histórias com a cara da época em que elas se propõem.

Já o desenhista italiano Mario Alberti dá um verdadeiro show. Responsável por toda arte das HQs, o autor é dono de um belo traço e de um acabamento muito bom. Como a escola italiana de quadrinhos, não ousa muito na diagramação dos quadros, mas mostra uma narrativa que é hibrida com estilo norte-americano.

O principal aspecto de seu trabalho é a colorização. Alberti tem uma paleta de cores marcante, que enche os olhos do leitor a cada página.

Pelo trabalho de Alberti, já vale a pena adquirir a revista, mesmo custando salgados R$ 6,50. Com o roteiro divertido de Gage, a revista se torna uma boa pedida.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Wolverine – Inimigo do Estado

Sinopse: Após sofrer lavagem cerebral nas mãos do Tentáculo, Wolverine se tornou um agente do clã ninja, atacando os seus antigos aliados X-Men, o Quarteto Fantástico e a agência SHIELD.

Análise: Aproveitando o lançamento de X-Men Origens: Wolverine, a Panini lançou esta edição especial que encaderna um dos arcos mais interessantes do mutante: Inimigo do Estado, escrito por Mark Millar e desenhado por John Romita Jr.

Nele, Mark Millar coloca Wolverine como um assassino a serviço de uma fusão da Hidra com o Tentáculo, após passar uma cerimônia de ressuscitamento e lavagem cerebral. A partir daí, é composta uma história do herói contra seus antigos aliados, pois a cada novo super-ser que morrer, será revivido pelo Tentáculo como um vilão a seu serviço, assim como foi feito com Logan.

Sem as travas de sua consciência, Wolverine não hesita em estripar soldados da Shield ou mesmo membros dos X-Men.

Tal qual o personagem título do clássico O Homem Invisível de H.G. Wells, os convertidos pelo Tentáculo sentem-se livres para fazer o que quiserem. Um dos pontos altos da história é quando Logan, já reconvertido pela Shield mas tendo de enfrentar o exército que ajudou a criar, discute com o personagem Estrela Polar. O mutante discursa que finalmente está fazendo “todas as coisas que são naturais pra gente... mas a Igreja e o Estado nos treinaram pra reprimir durante anos”.

O resto da história é mais focado na ação. As batalhas conduzidas pro John Romita Jr. São extremamente empolgantes. É notória a habilidade do desenhista de lidar com personagens cujo destaque é a agilidade. Dessa maneira, ele sempre sabe o que deve entrar ou não numa cena de ação e qual ângulo deve ser privilegiado.

Talvez o grande problema da arte seja que com o tempo ela se torna um tanto repetitiva e cansativa. Ler as histórias com o traço de Romita mensalmente é uma dosagem boa. Encarar tudo de uma só vez faz com o leitor fique saturado do visual “quadradão” de seus personagens.

No geral, Inimigo do Estado é uma HQ bem-feita, mas sem superlativos. Trata-se de uma boa diversão, e não exige a necessidade de saber grandes coisas da cronologia do herói para acompanhá-la. Por si só, já é uma grande pedida, e lançada próxima do filme no cinema, melhor ainda.

Entretanto, apesar da qualidade da série, fica a questão de porque motivo a editora decidiu lançá-la em capa dura. Tal trama poderia perfeitamente ter saído como a edição Bem vindo de volta, Frank, encadernado do Justiceiro que também compilava histórias já lançadas em revistas avulsas, mas que saiu em formato brochura e por um preço muito mais acessível.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Violent Cases

Sinopse: Um homem narra como foi o seu encontro na infância com o osteopata de Al Capone, que, por sua vez, conta as histórias violentes desse gângster ítalo-americano.

Violent Cases foi o primeiro trabalho expressivo da dupla que revolucionaria os quadrinhos em Sandman: Neil Gaiman e Dave McKean.

E aqui a genialidade dos dois já pode ser notada. A trama, onde um narrador muito parecido com Neil Gaiman conta o seu encontro na infância com o osteopata de Al Capone, é onírica e fantástica.

Como é bem observado na contra-capa do álbum, aos poucos a Chicago de Al Capone e a Inglaterra dos anos 60 se misturam na narrativa infantil-adulta do protagonista. As histórias violentes que o osteopata conta ao menino povoam sua mente e ocupam sua vida. Os encontros entre os dois são poucos, mas muito marcantes.

A arte de McKean criam perfeitamente o clima onírico necessário a narrativa. Ela é pouco figurativa e exige da imaginação do leitor. As cores sombrias pontuam mais ainda esse aspecto.

Todo esse clima de sonhos e narrativas fantásticas são o embrião do que seria Sandman. Para os fãs dessa série, Violent Cases é presença obrigatória na estante.

A edição, em capa dura, da editora HQM em tudo lembra outras edições dos trabalhos de Gaiman no Brasil, sobretudo a própria edição de Sandman da Conrad. Há até notas explicativas no final, entretanto, as indicações nas páginas referidas não estão claras. O ponto forte é o preço, mais do que justo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Tom Strong – A Invasão das Formigas Gigantes

Sinopse: Tom Strong, e vários amigos se juntam para formar uma resistência à aproximação alienígena que ameaça invadir a Terra. Tom, amigos e família vão precisar de sua energia, engenhosidade, alianças e inteligência para lutar contra a enorme armada de formigas gigantes determinadas a tomar o Planeta e escravizar toda a humanidade.

Análise: Tom Strong é um personagem criado por Alan Moore para seu selo na Wildstorm, o America’s Best Comics. O personagem é uma homenagem aos heróis dos pulps do início do século XX. Sua história começa com seus pais, Susan e Sinclair Strong, viajam no início do século XX até a lendária ilha de Attabar Teru, para criar um filho perfeito tanto físicamente quanto mentalmente.

Eles decidem colocar o pequeno Thomas em uma câmera de gravidade pesada, alimentando-o com raiz de Goloka, uma planta milagrosa que aumenta a sua longevidade e a inteligência. Os pais de Tom acabam morrendo num terremoto, antes que o menino completasse nove anos. Assim, o jovem herói passa aos cuidados dos nativos ozu, saindo para um mundo de aventuras quando atinge a maioridade.

Tom constitui uma família aventureira, formada por sua esposa ozu Dalhua, a filha do casal Tesla, o robô Pneuman e o macaco inteligente Rei Salomão. Juntos, se mudam para a metrópole Millenium City onde se tornam uma espécie de Quarteto Fantástico local. Tudo isso acontece antes da trama desse especial, e foi narrado nas edições publicadas pela Devir: Tom Strong - Um Século de Aventuras e Tom Strong - No Final dos Tempos. Porém, na apresentação deste Tom Strong – A Invasão das Formigas Gigantes, há um dossiê explicando tudo que se passou nessas histórias.

A presente edição compila as revistas originais de 15 a 19 da publicação mensal de Tom Strong, na qual o leitor é apresentado a Val Var Garm, futuro namorado de Tesla e narra também o conflito de Tom e seus amigos contra o império das Formigas Gigantes.

As narrativas de Moore são divertidas e bem humoradas. O clima retrô-futurista do personagem é inusitado e funciona muito bem nas histórias.

No geral, Moore conseguiu compor uma bela homenagem aos heróis dos pulps e criou uma ótima HQ de ficção científica com uma narrativa fluída e bem executada.

Os desenhos de Chris Sprouse, co-criador do personagem, casam perfeitamente com os roteiros bem-humorados e, ao mesmo tempo, sérios de Moore. Destaque para o character design de Tom Strong, troncudo e musculoso, mas com suíças grisalhas, características que, combinadas, dão um ar nobre e magnânimo necessário ao personagem.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Tintim – os Charutos do Faraó

Sinopse: O jovem repórter Tintim e seu inseparável cachorro Milu se envolvem numa perigosa aventura que para descobrir um mistério envolvendo uma marca de charutos e acabam encarando uma sociedade secreta e traficantes de Ópio.

Análise: Em 2005 a Companhia das Letras fez uma agradável surpresa aos amantes da Nona Arte dando inicio à publicação da coleção de álbuns do Tintim, criação máxima do cartunista belga Hergè (pseudônimo de Georges Rémi).

O projeto editorial, indicado ao prêmio HQMIX da categoria, teve início em quatro títulos, Os Charutos do Faraó, O Lótus Azul, O Ídolo Roubado e A Ilha Negra. Todas estas histórias já foram publicadas no Brasil, na década de 1960 pela editora Flamboyant e, no início dos anos 70, pela Record.

A história Os Charutos do Faraó (Les Cigares du Pharaon), é na verdade quarta aventura da série, e foi publicada originalmente entre dezembro de 1932 e agosto de 1934, em preto-e-branco, no suplemento infanto-juvenil Le Petit Vingtième, que vinha encartado no jornal belga Le XXe Siècle.

A primeira edição encadernada (ainda em preto-e-branco) foi publicada pela Casterman em 1934. Posteriormente, o álbum foi parcialmente redesenhado, colorido, teve sua história reduzida para 62 páginas (formato definitivo dos álbuns de Tintim no pós-guerra) e foi republicado em 1955. Essa é a versão que a Companhia das Letras traz ao Brasil.

A trama do livro começa com o jovem repórter numa viagem de navio indo para o extremo oriente e se deparando com um estranho Egiptólogo conhecido como A. Siclone, que é responsável por diversas piadas e cunfusões na história. O homem está em busca do túmulo de um faraó do antigo Egito.

Tintim e Milu, depois de uma série de imprevistos, terminam se juntando ao homem na missão atrás do túmulo. Ao se meter nisso, Tintim, ao melhor estilo pulp, acabará naufragando em um caixão, se alistando num exército árabe, invadindo as filmagens de uma superprodução, lutando contra faquires na India, salvando um marajá, e desmontando um intricado negócio de tráfego de ópio e armas.

Por todos esses motivos, o álbum é uma aventura de tirar o fôlego, mas sem perder a ingenuidade das histórias das décadas de 30 e 40. Destaques positivos para as diversas gags e piadas que mantém o bom-humor da série e a excelente preparação de texto, que deu um ar antiquado ao falar dos personagens sem torná-lo truncado ou incômodo.

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