domingo, 31 de outubro de 2010

Terceiro Testamento - Volume 1 - Marc, ou o Acordar do Leão

Sinopse: Terceiro Testamento se passa na Europa da Idade Média, no ano de 1307, quando o poder da Igreja Católica era soberano. No entanto, uma descoberta de um antigo pergaminho nos subterrâneos de um convento pode mudar muita coisa. Mas há segredos que não devem ser revelados. E, em meio a muito mistério e intrigas, é isso que descobrirão os protagonistas, o Conde de Marbourg, um ex-inquisidor, e Elisabeth D'Elsenor, filha adotiva do arcebispo de Paris.

Terceiro Testamento - Volume 1 - Marc, ou o Acordar do Leão, com roteiros de Xavier Dorison e desenhos de Alex Alice, é a HQ de estréia da editora Multi Editores no mercado de quadrinhos.

De cara a HQ chama atenção pelo formato 24 x 32 cm, comum para HQs européias como Terceiro Testamento mas incomum em bancas brasileiras. Além disso, todas as págians são coloridas e em papel brilhante. Outro ponto de destaque da HQ é o seu preço, extremamente acessível pela sua qualidade gráfica, R$ 19,80.

A trama é bastante interessante também, tendo lugar na Idade Média européia e envolvendo a Igreja Católica e um texto apócrifo abafado por ela que poderia revolucionar o mundo. Logo de cara a histórias deixa claro que é um thriller medieval, com muita ação, aventura, suspense e conspirações.

A Igreja Católica é uma presença importantíssima na história. Além dos títulos dos quatro volume da saga de o O Terceiro Testamento evocar os evangelistas Marc (Marcos), Matthieu (Matheus), Luc (Lucas) e Jean (João), seus protagonistas têm forte ligação com a instituição. O Conde de Marbourg é cavaleiro e ex-inquisidor e a mocinha, Elisabeth D'Elsenor, é filha adotiva do arcebispo de Paris.

Além do roteiro de Xavier Dorison ser bem empolgante, os desenhos de Alex Alice são de muita qualidade. Não há grandes ousadias na narrativa gráfica e na diagramação dos quadrinhos. Mas o autor tem um ótimo domínio da composição das cenas e faz cenários extremamente detalhados e visualmente chamativos. Talvez seu único ponto irregular é a expressividade dos personagens. Em dados momentos é ótima e, em outros, fica bem insossa.

Em suma, O Terceiro Testamento é uma HQ que vale o investimento do leitor, que a encontrará em bancas, gibiterias e algumas livrarias, como a rede Fnac.

A estratégia de distribuir em bancas da Multi Editores se mostrou arriscada. Tanto que a série, e a editora, não passaram do segundo número. Uma pena, um material de grande qualidade que o leitor brasileiro não soube apreciar.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Y - O último homem

Sinopse: Um desastre vitimou todos os homens da Terra, exceto Yorick, o último homem. Agora Yorick viaja pela América devastada em busca de uma esperança para a humanidade.

Y – O último homem é a conceituada série criada pelo roteirista Briam K. Vaughan. A trama parte da premissa de que todos os homens, exceto Yorick Brown, morreram subitamente. Não há explicação (mas há indícios que pode ser algo mágico, ligado ao amuleto de Yorick), pelo menos no início, eles apenas morrem deixando as mulheres com a Terra e o caos que a partida dos membros do sexo masculino deixou.

Um elemento interessante é notar o tipo de caos que o mundo fica sem homens. Pilotos de avião, mecânicos e técnicos de usinas elétricas em sua maioria são homens. Ou seja, o mundo está praticamente sem comunicação e transporte. As pessoas estão ilhadas onde estavam quando aconteceu o desastre.

Nesse pandemônio, surge Yorick, o último homem, quer encontrar sua namorada, na Austrália. Mas antes disso, precisa encontrar uma geneticista que tem pesquisas na área da clonagem humana. No caminho da busca pela cientista, e depois pela laboratório dela, ele é acompanho pela agente 355 e seu macaco Ampersand, o nome técnico do &.

Pela história, Y – O último homem é um dos melhores títulos no mercado. A Panini vem publicando os encadernados em um ritmo bom, sendo que o terceiro já está nas bancas e em breve teremos histórias inéditas, após passagens sem sucesso pela Opera Graphica e Pixel.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Umbigo sem Fundo

Sinopse: David e Maggie Loony anunciam para seus filhos que, após 40 anos de casamento, vão se divorciar. Os três filhos do casal e seus dois netos vão passar a última semana com eles antes da separação, reagindo de maneiras diferentes.

Umbigo Sem Fundo não é uma HQ que estamos habituados a ler. Não tem pirotecnias, não tem aventuras, não tem ação. É uma obra de 720 páginas sem uma única explosão ou cerrar de dentes. É um livro sobre pessoas e seus relacionamentos, é sobre como famílias começam e acabam e como os seus membros lidam com isso.

Só que a narrativa de Dash Shaw, que ficou três anos ilustrando essa história, não faz isso de maneira simples. O seu enredo mostra um casal separando-se após casados por quarenta anos e seus três filhos e dois netos e a esposa de um dos filhos passando a última semana de casamento com eles.

São apenas seis dias, mas Shaw descomprime a passagem do tempo acompanhando diversos personagens sem nunca se ater apenas a um deles. Não há protagonista, e mesmo os pais David e Maggie Loony não aparecem muito em cena.

Cada uma das pessoas envolvidas na histórias são pessoas complexas, com profundidade. A filho amado e mimado, que não aceita o fim do casamento dos pais mas que na verdade está mal dentro do seu próprio casamento, há filha mãe solteira, envolvida demais na sua zona de conforto para tentar algo novo na sua vida, mas que vive por meio de sua própria filha. E há o personagem mais interessante, o caçula com baixa estima, retratado quase que o livro todo como um sapo, que enquanto o casamento dos pais termina, se envolve com a primeira garota de sua vida, ainda que tardiamente.

É a história dessas pessoas lidando com o fim do casamento dos Loony que o autor está preocupado em contar.

A narrativa tem grande influência dos quadrinhos japoneses. Muitos quadros par amostrar uma cena, longos espaços para serem preenchidos pelos leitores e onomatopeias que imitam, sem muito sucesso na verdade, o estilo japonês de palavras misturadas à arte. Há também diversos “brancos conceituais” na diagramação das páginas, que se misturam a narrativa da história e conferem sensações de vazio ou de preenchimento ao leitor, variando de acordo com a situação.

O enredo em si tem espaços vazios, mistérios não esclarecidos e mesmo uma anunciada terceira parte que nunca vem, que demandam a imaginação do leitor para que a história se complete.

Shaw domina muito bem sua narrativa complexa. É preciso dizer que apesar de sua qualidade, essa maneira de fazer quadrinhos pode despertar sentimentos diversos nos leitores, que podem ficar presos a história sem conseguir largar até o final ou achá-la morosa e pedante, amaldiçoando a pretensão do autor.

O grande defeito da HQ pode ser o traço pouco elaborado de Dash Shaw. Quem está acostumado com realismo e detalhismo pode estranhar, mas com o tempo a arte fica um pouco cansativa. Há um problema grave nesse sentido em relação ao personagem Peter, que é retratado como um sapo, conforme já dito. Até um momento em que ele assoa o nariz na praia, muitos o enxergam como um urso, com os olhos do sapo sendo as orelhas do urso, e as narinas os olhos. Para evitar mal-entendidos, o autor poderia ter caprichado mais na textura da pele do sapo ou dado pistas logo no começo.

São poucos defeitos para uma obra maiúscula, tanto na qualidade quanto no seu número de páginas. Quem topar lê-la não irá se arrepender.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

The Umbrella Academy - Suíte do Apocalipse

Sinopse: Umbrella Academy é um grupo de jovens com poderes especiais. Criados por "pais" estranhos e rígidos, cada uma das crianças é denominada como um número: "Um", Luther, tornou-se o Spaceboy, o líder e mais forte; "Dois", Diego, chamado de Kraken, é capaz de segurar a respiração por tempo indeterminado; "Três", Allison, chamada de Rumor e tem o poder de fazer tornar verdade qualquer coisa que fale; "Quatro", Klaus, Seance, pode levitar e falar com os mortos; "Cinco" é capaz de fazer viagens para o futuro a qualquer momento; "Seis", Ben, era chamado de Horror por ter monstros de outras dimensões embaixo de sua pele; "Sete", Vanya, não aparentava ter poder algum, apesar da habilidade com o violino.

The Umbrella Academy – Suíte do Apocalipse chega no Brasil credenciada por ter ganho os dois principais prêmios de quadrinhos dos EUA: os Eisner de melhor série, capista e colorista, e o Harvey de melhor série. Além disso, já teria um natural apelo com o público nacional por ser desenhada por Gabriel Bá.

Como se isso não bastasse, os roteiros são assinados por Gerard Way, vocalista da banda de rock My Chemical Romance. Portanto, de partida, um sucesso de público.

Porém, de nada todos esses fatores adiantariam se a história fosse ruim. Não é o caso. The Umbrella Academy – Suíte do Apocalipse é uma HQ divertida e por vezes um pouco perturbadora, sobre pessoas com super-poderes.

Não é uma trama convencional de super-heróis, entretanto. Way aborda os temores e problemas de sete crianças que foram adotadas por ter esses poderes e treinadas para salvar o mundo. Há de se esperar que crianças que cresçam enfrentando bandidos e a morte tenham seus problemas e sua aflições. Todos graves.

Para piorar, o “pai” que adotou e educou essas crianças é austero, ausente e não demonstra nenhum tipo de amor, especialmente com a número 7, sobretudo por ela não aparentar ter nenhum tipo de poder especial.

A trama começa, de verdade, quando todos já cresceram e se reúnem para o funeral de seu tutor. Velhas desavenças vêm a tona, mas tudo fica ainda mais sombrio quando o número 5 volta, após passar mais de vinte anos no futuro, avisando que o apocalipse deve acontecer em três dias. E a número 7 tomará partido nisso.

O plot, a interação com os personagens ou mesmo o desenrolar da narrativa não apresentam nada de muito novo. A cada instante é possível lembrar em que lugar vimos isso antes: Tomorrow Stories, Hellboy Invisíveis, Tartarugas Ninja, Flashman... Só que isso não altera em nada a apreciação da história, pois Way reúne tudo numa boa narrativa que faz o leitor ansiar pela próxima página.

A arte de Gabriel Bá é competente. Sombria, combina perfeitamente com o roteiro. Bá delineia bem sua narrativa, facilitando a vida do leitor.

A edição da Devir está muito boa, com prefácio do próprio Bá, capas originais, rascunhos, histórias extras e posfácio do editor original Scott Allie.

Por tudo isso, quem arriscar ler The Umbrella Academy – Suíte do Apocalipse não terá do que reclamar.

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The Umbrella Academy – Suíte do Apocalipse, de Gerard Way e Gabriel Bá (Devir)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Turma da Mônica – Lostinho

Sinopse: A Turma da Mônica acorda numa ilha sem saber como fori parar lá. Muitos mistérios envolvem o local e caberá a turminha desvendá-los.

Análise: Uma das grandes sacadas de Mauricio de Sousa ao longo de todos estes anos de sucesso foi parodiar elementos da cultura pop nas páginas de seus gibis. Clássicos chegaram mesmo a sair em formato gigante especial, como as versões da rua do limoeiro de Star Wars e Batman (Tauó e Batmão, respectivamente).

Agora na Panini, os estúdios Mauricio de Sousa voltam a atacar com suas famosas paródias. A bola da vez é a série que é mega-sucesso em todo o mundo Lost.

E a brincadeira é muito bem elaborada. Todos os elementos da primeira temporada da série são satirizados com inteligência. Cada um dos personagens da TV ganhou sua versão na turminha, com destaque para Cebolinha como Jack e Mônica como Kate.

A trama é cheia de mistérios, mas ironiza os insolúveis e intermináveis do seriado. Outro detalhe bem legal é que diversos personagens antigos do Mauricio dão as caras no gibi, abrindo talvez um precedente para vindouras publicações dos mesmos.

Além de uma boa trama, a revista apresenta diversos bônus sketches da HQ, arte original da capa, uma tirinha e Galeria de Personagens, associando cada um dos personagens da Turma da Mônica com os da série Lost.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Starman - Volume 1

Sinopse: Após a morte de seu irmão, David Knight, Jack assume o manto de Starman, o herói de Opal City, herdando o cargo que antes fora também de seu pai. Só que Jack não se sente capaz de se adaptar à vida de super-herói.

Os quadrinhos de super-heróis nos anos 90 estavam em alta. Enquanto as HQs mais marcantes dos anos 80, como Watchmen, aproximaramm os heróis da realidade, a década seguinte será sempre lembrada pelos títulos espalhafatosos da Image.

Nessa década, a DC promovera a saga Zero Hora, que, entre outras coisas, colocava o Lanterna Verde Hal Jordan como um vilão e acabou com a antiga Sociedade da Justiça, envelhecendo alguns personagens e matando outros. Dentre os personagens que ficaram velhos estava o Starman original, Ted Knight.

Tudo isso fazia parte do plano da editora de revitalizar seus personagens para uma nova geração acostumada com o sucesso da sua concorrência. Dessa maneira, surgiram caras como Impulso (para ocupar o lugar o Flash), um novo Lanterna Verde, um novo Starman etc.

Só que esse Starman de James Robinson e Tony Harris acabou sendo o oposto do que se fazia na época. A narrativa mostra o filho primogênito de Ted Knight, David, assumindo o manto do personagem e morrendo logo nas primeiras páginas pelas mãos de um antigo inimigo. Jack, o caçula, não se interessa pela figura de herói do pai, acho que o uniforme colorido do irmão é cafona e não quer se envolver em nada com o Starman, mas também é atacado pelo inimigo do pai, só que acaba sobrevivendo.

Ele não nasceu para ser herói, pensa, mas diante das circunstâncias assume o bastão cósmico do pai. A partir daí, as histórias que Jack se envolve beiram ao terror, com criaturas mágicas, vilões medonhos e situações bizarras.

As linhas gerais da HQ acabaram aproximando-a das histórias do selo Vertigo, ou seja, tramas mais adultas, complexas, com temas menos convencionais.

O design do personagem proposto por Harris também foge do que se via na época. David usa uma jaqueta de couro com um óculos de visão notura em vez dos tradicionais colants coloridos. Além disso, tudo em Starman tem um ar sombrio e escuro, com uma paleta de cores que combina com isso e com o visual marcante de sua cidade, Opal City.

A edição da Panini é luxuosa e prima tanto pela qualidade gráfica quanto pelo material extra, como textos dos autores (que constavam na edição Omnibus original), capas, rascunhos e um bem colocado glossário que ajuda o leitor a se situar nas referências de colecionáveis que o autor James Robinson, aficionado pelo assunto, incluiu nas tramas.

O melhor de tudo é que o livro pode ser lido sozinho, sem a necessidade de nenhum conhecimento prévio sobre os personagens e traz um arco fechado. Atualmente, é fácil encontrá-lo em promoção em sites como o Submarino.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Star Trek – Ano IV

Sinopse: Quarto ano da missão da tripulação original da U.S.S. Enterprise em sua missão de cinco anos para explorar novas civilizações, audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve.

Análise: Aproveitando a nova onda de Star Trek que veio junto com o filme de J.J. Abrams, a Devir trouxe ao Brasil alguns títulos das HQs ambientadas no universo criado por Gene Roddenberry.

Apesar do ótimo senso de oportunidade e da qualidade gráfica do álbum, a editora pecou em não trazer algum texto introdutório, como acontece na maioria dos seus álbuns, inclusive em outros ambientados no universo de Star Trek.

Esta edição compila histórias publicadas originalmente nos EUA em uma minissérie de seis episódios. Cada uma das HQs conta uma história fechada estrelada pelos personagens originais de Star Trek. Nelas, são emuladas as estruturas utilizadas nos episódios clássicos da série.

Ou seja, tramas em que o Capitão Kirk, Dr. McCoy e Sr. Spock, mais algum eventual outro tripulante e um “camisa vermelha” – nome pelo qual eram conhecidos membros da tripulação que invariavelmente acabavam mortos –, desciam em planetas em missões exploratórias. Nelas é Kirk abala o coração de alguma jovem, todos interagem com o planeta, flertando com a violação da primeira diretriz de não-interferência e eventualmente a Enterprise é ameaçada por alguma ameaça externa.

Na verdade, tudo isso é mencionada em cada um dos episódios do álbum em um tom que mistura deboche e reverência. A maior prova disso é o episódio quatro, “Reality Show”, em que Kirk e os outros são forçados a estrelar um programa numa civilização voltada para o entretenimento. Nela, o capitão recusa-se a manter sua tripulação presa num show televisivo por cinco anos.

Apesar de soarem ingênuas, as histórias devem agradar em cheio aos fãs saudosistas que podem ter sentido um pouco não representados pelo filme de Abrams.

Nerdshop
Star Trek – Ano IV de David Tischman e outros (Devir)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sabre de Luz

Star Trek A Nova Geração - Interlúdios

Sinopse: Histórias que fazem a ligação entre as sete temporadas originais de Star Trek – Nova Geração.

Análise: Para comemorar os 20 anos de aniversário de Star Trek A Nova Geração foi lançada nos Estados Unidos a minissérie Star Trek Next Generation – Space Between, que tinha como proposta apresentar histórias que se passavam entre os episódios e temporadas da série televisiva. Além disso, o projeto pretendia amarrar tudo com a nova série de quadrinhos lançados pela IDW por aquelas bandas.

É essa minissérie que é compilada no álbum brasileiro Star Trek A Nova Geração – Interlúdios, lançado pela Devir. São seis histórias no total, que contam momentos distintos da tripulação da Enterprise NCC 1701-D, sob o comando de Jean-Luc Picard.

A estrutura do roteiro de cada um dos capítulos imita, com precisão, o estilo das narrativas da TV. David Tischman já tinha mostrado competência ao fazer isso em Star Trek Ano IV e repete a dose agora.

Mas, diferentemente de Ano IV onde as história compartilham uma sequência cronológica bem marcada, todas acontecem ao longo de um ano, aqui, as tramas não tem essa marca clara. Por se passarem no intervalo de sete temporadas, de uma história para outra personagens que namoravam não tem mais um relacionamento, membros sumiram da tripulação, outros apareceram etc.

Isso faz com que Star Trek A Nova Geração – Interlúdios seja uma HQ voltada quase que exclusivamente para os fãs da série original. Mesmo expectadores ocasionais podem ficar boiando em muitos momentos. Mas os fãs serão presenteados com boas histórias que despertarão saudades do seriado.

Faltou talvez um texto antes de cada HQ, situando-a na cronologia para facilitar o acesso desses leitores não-fãs. A exceção disso, a edição da Devir tem muita qualidade, reproduzindo as belas capas originais, tanto as principais quanto as alternativas.

domingo, 17 de outubro de 2010

Spawn Origem

Sinopse: Al Simmons é um assassino mercenário que morreu em uma missão. Para voltar e rever sua esposa, ele faz um pacto com o demônio Malebólgia. Só que, ao acordar, Simmons se vê sem memória, cinco anos depois de sua morte e transformado num ser terrível, Spawn, o Soldado do Inferno.

Análise: A editora Image surgiu no início da década de 90, a partir de um ambicioso projeto dos desenhistas superstars, que saíram de outras editoras, sobretudo da Marvel, e criaram sua própria casa publicadora para manter os direitos autorais sobre seus quadrinhos.

A dinâmica da empresa reunia os estúdios de diversos artistas que funcionavam independentemente. Cada um lançou uma série de personagens e revistas que privilegiavam muito mais os desenhos do que pelos roteiros. Nesse contexto nasceu Spawn, de Todd McFarlane.

Spawn foi, com certeza, a melhor publicação da nova editora em seu início. Apesar disso, com o passar dos anos, o personagem sofreu como seus pares de histórias ruins e autores medíocres. Hoje, ao ouvir o nome Spawn, muitos leitores já torcem o nariz. Só que nem sempre foi assim.

No começo, o título se destacou por vários fatores, como o clima das HQs, bastante sombrio. Além disso, seus roteiros misturavam mitologia cristã, armagedon, mafiosos e vida nas ruas de grandes metrópoles. Seus personagens eram fortes e carismáticos. E traço de McFarlane era bem elaborado e espalhafatoso, definindo a vanguarda dos comics da época.

Todos esses elementos podem ser conferidos nesta edição especial encadernada da Pixel Media, que compila as cinco primeiras aventuras do Soldado do Inferno, publicadas originalmente em 1992.

Um amnésico Spawn é apresentado ao leitor, que não sabe o que ele é nem o que era antes. À medida que o personagem vai recuperando a memória, vai sendo revelado um pouco mais da sua vida e de seu passado, sobretudo sobre Wanda, sua ex-esposa e razão de seu pacto com o demônio Malebólgia.

As tramas são pesadas, cheias de sangue. Há grande influência do trabalho de Frank Miller e seu O Cavaleiro das Trevas tanto na violência das tramas, quanto na narrativa que coloca explicações de acontecimentos em páginas que apresentam telejornais. Além disso, McFarlane usa um traço pouco realista, caricato até, para representa os humanos, exatamente como Miller, de quem é fã confesso.

Guardadas as devidas proporções, McFarlane usa em seu personagem elementos que marcaram a obra do mestre Will Eisner. Assim como acontecia em Spirit, muitas vezes em Spawn os personagens secundários têm mais importância que o protagonista.

E é aí que está um dos pontos altos de Spawn: seus ótimos coadjuvantes. Os detetives Sam e Twitch muitas vezes são um alívio cômico, mas também têm seus momentos densos e complexos.

Outro núcleo que merece destaque é a família Fitzgerald, composta por Terry, antigo melhor amigo de Al Simmons que se casou com sua ex, Wanda, e agora tem uma pequena filhinha. Por fim, há a ótima galeria de vilões, como o Palhaço/Violador, um demônio psicopata, e Malebólgia demônio que planeja ter Spawn como seu general na vindoura guerra contra o paraíso.

A edição da Pixel está muito boa, com uma introdução de Frank Miller e um texto no posfácio contando aos leitores um pouco mais da trajetória da Image. Graficamente, também merece elogios.

sábado, 16 de outubro de 2010

Spawn Godslayer


Sinopse: Num mundo fantástico, deuses e dragões ameaçam a humanidade. Nesse universo de magia e fantasia, surge o caçador de deuses Spawn Godslayer.

Análise: Há algum tempo a fantasia medieval esteve na moda no mundo pop. Pode-se culpar os milhões faturados pela trilogia cinematográfica de Senhor dos Anéis. Depois que Frodo e seus amigos fizeram sucesso na telona, diversos épicos, fantásticos ou não, surgiram na literatura, cinema e quadrinhos.

Um deles é esse especial Spawn Godslayer. A história se passa num mundo medieval fantástico aos moldes de Senhor dos Anéis, com um toque do universo de Conan.

Nesse lugar, cheio de deuses, dragões, reis e princesas, surge o cavaleiro Spawn Godslayer, que, tirando a roupagem e o clima da história, não tem muito a ver com a figura clássica com a qual os leitores estão acostumados. Na trama, em que enfrenta um dragão e uma deusa, paralelamente é contada a história do seu passado e do mito do Godslayer.

A aventura é interessante e cheia de ação. Fãs de mundos de fantasia e RPG devem apreciar o título. Há algumas referências muito ostensivas ao Senhor dos Anéis, como um anel de ouro retratado sozinho numa página, rodando em queda livre.

Vale lembrar que não é a primeira tentativa de levar Spawn a mundos de fantasia. Por bastante tempo, a Image publicou as história do Spawn Medieval, ambientado no passado da linha do tempo do Spawn principal, na Idade Média fantástica. Mas o personagem sumiu por problemas entre Todd McFarlane com o criador do personagem, ninguém menos que Neil Gaiman.

Mas, apesar dos roteiros não terem nenhum grande atrativo nem serem nenhuma novidade, o destaque da revista é a bela arte de Jai Anacleto. Detalhista e complementado com boas cores, o traço de Jai Anacleto confere a ambientação perfeita para a história. Além disso, os leitores poderão apreciar painéis interessantes, como a cidade incrustada nas pedras nas primeiras páginas. O formatão da revista escolhido pela editora, muito próximo de um A4, contempla perfeitamente o trabalho de Anacleto.

Na introdução, o editor Cassius Medauar avisa aos leitores que, dependendo do sucesso desse especial, a série mensal que derivou de Spawn Godslayer pode chegar por aqui também.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Shenzhen – Uma Viagem à China

Sinopse: História do período em que o quadrinhista Guy Deslile esteve na China, na cidade de Shenzen, supervisionando um estúdio de animação.

Shenzhen – Uma Viagem à China é o terceiro livro do quadrinhista canadense Guy Deslile publicado no Brasil pela editora Zarabatana. O lançamento aconteceu em decorrência da visita de Deslile ao país, durante o 6º FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos. Curiosamente, o álbum foi o primeiro dele a ser lançado originalmente.

O motivo pelo qual a editora brasileira trouxe Shenzhen após Pyongyang e Crônicas Birmanesas fica patente antes de chegarmos ao final da leitura: o livro não é tão atraente quanto os outros dois. Em outras palavras, não prende o leitor com a mesma força e intensidade.

A leitura chega a ser morosa e os eventos narrados não são muito divertidos. Isso é uma decorrência direta do que o autor passou por lá. Tal qual a estada de Deslile na China, Shenzhen é chato. Entretanto, é uma HQ de muita qualidade. A narrativa é bem-feita, o traço é interessante.

Inclusive, se um leitor ainda não conhecer o trabalho do autor e iniciar sua leitura por Shenzhen, deverá gostar muito, pois é um estilo diferente de quadrinhos. Um misto de jornalismo gráfico com crônica de viagem, e o resulta é interessante, bem diferente do que estamos habituados a ler. Trata-se de uma leitura atraente até para quem não é habitué das histórias quadrinhos.

E quem gostar de Shenzhen deve correr para Pyongyang e Crônicas Birmanesas, narrativas de viagens mais interessantes de Guy Deslile.

Nerdshop:
Shenzhen – Uma Viagem à China, de Guy Deslile (Zarabatana)

Crônicas Birmanesas, de Guy Deslile (Zarabatana)

Pyongyang, de Guy Deslile (Zarabatana)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Turma da Mônica Jovem nº1

Sinopse: As novas aventuras da Turma da Mônica, agora na adolescência e em estilo mangá.

Turma da Mônica Jovem é um ousado projetos dos Estúdios Mauricio de Sousa, que coloca os personagens criados pelo quadrinhista na adolescência e em estilo mangá.

Para quem leu o referido número 0, as primeiras páginas do gibi podem ser redundantes, pois reapresentam as mudanças nos personagens. Na verdade, o primeiro capítulo inteiro é focado nas apresentações. Os dois subseqüentes, num total de três, é que introduzem a narrativa.

Ao contrário do que se poderia imaginar, a história não tem uma pegada mais “comédia romântica”, mas sim um viés mais aventuresco. Cebola (o ex-Cebolinha), Cascão, Mônica e Magali, ao melhor estilo esquadrão Super-Sentai1 herdam poderes mágicos dos pais para enfrentar a temível Yuka, um ser mágico ancestral japonês que estava aprisionada numa pedra e foi liberta pelo Capitão Feio, agora rebatizado para Poeira Negra. Novamente, a Panini perdeu uma boa oportunidade de fazer uma boa jogada de marketing. Poeira Negra afirma que tem um blog e a editora poderia ter criado um blog do personagem em seu site para caso alguém procurasse no google. Assim, funcionaria como uma página de divulgação do título.

Voltando aos personagens, não é apenas o Capitão Feio que ganhou nova roupagem. Franjinha, Anjinho (que agora é CéuBoy), Maria Cebola e até mesmo o Louco dão as (novas) caras no gibi.

Diferentemente do que aconteceu no número 0, aqui a influência dos mangás é muito mais notória: imagens SD, onomatopéias no meio da arte (discretas, mas presentes), folhas voando ao fundo da cena, piadas de cunho erótico, gotas nas cabeças dos personagens, diagramação ousada etc. Na trama, há ainda na história ofudas, báculos e outras elementos que são que aparecem em muitos dos quadrinhos japoneses.

Na própria edição da revista, temos diversos detalhes que aproximam mais Turma da Mônica Jovem dos mangás, como a qualidade do papel, os “free talks” de Mauricio com os leitores, apresentação dos personagens nas primeiras páginas e até mesmo o sumário. A edição em si é toda feitas nos moldes nipônicos, com a grande diferença que a leitura é no sentido ocidental, até com um aviso de leitura no fim do gibi. Nada mais justo já que a HQ foi concebida no Brasil e a leitura “ao contrário” dos mangás só é assim devido a essa prática japonesa.

Um detalhe interessante é que ao ler a história, é impossível não fazer a imediata associação com as HQs dos Combo Rangers, personagens de Fábio Yabu, publicados pela Panini em 2003. Naquela época, os personagens já faziam uma interessante ponte entre as histórias de turminha e os mangás. Pena que sem o apelo de personagens mais famosos, a revista precursora da atual acabou cancelada.

1 Tipo de seriado de ação japonês que apresentava um grupo de heróis, geralmente cinco, usando roupas coloridas e enfrentando todo o tipo de monstros. No Brasil, séries como Flashman e Changeman fizeram grande sucesso. Depois, todos eles passaram a ser reciclados nos EUA com o nome de Power Rangers.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sgt Rock – A Profecia

Sinopse: Depois de uma bem sucedida campanha na África, a Companhia Moleza liderada pelo Sargento Rock, é incumbida de uma missão especial: resgatar um jovem garoto judeu na Estônia. Esse menino pode ser o profeta que acabará com a guerra.

Análise: Para comemorar o aniversário de 50 anos do personagem Sargento Rock a Panini lançou essa edição especial assinada Joe Kubert, um dos criadores do personagem ao lado de Robert Kanigher.

Sgt Rock – A Profecia foi originalmente publicado em uma minissérie em seis partes, compilada nesse álbum. No seu miolo, a editora brasileira publicou todas as capas originais mais as capas alternativas. Apesar de um ótimo extra, é o único da edição, que não traz nem um texto introdutório sobre o personagem.

A história é típica de guerra, a Companhia Moleza embrenhada na neve da Estônia para tentar resgatar uma pessoa importante. No caso um garoto judeu que pode por fim a guerra. A trama é bem construída por Kubert, que mostra as argrúrias e crueldades da guerra sem ser sensacionalista ou apelativo.

Mas o principal atrativo do gibi é a arte de Joe Kubert. Cada capa é uma verdadeira pintura, e seus enquadramentos, closes, transição de passagens e cenas de ação são excelentes. Muitos autores da indústria dos quadrinhos teriam muito a aprender com ele, não à toa Kubert mantém uma escola de desenhista nos EUA.

Ponto para a Panini que colocou nas bancas essa HQ excelente. Uma boa oportunidade dos leitores de apreciar algo de qualidade.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Corrente

Oi, pessoal

É um assunto meio nada a ver, mas não tive como deixar de postar isso aqui. Afinal, o seguro morreu de velho.

“Olá,
Meu nome é Bruna e tenho dezesseis anos. Gosto de trocar mensagens, conhecer pessoas pela Internet e adorei seu blog. Por isso, escolhi você para ser meu novo amigo. Eu acredito que vamos nos dar muito bem.
E para isso acontecer, poste esse email no seu blog. Torça para ter sete comentários, ou então você terá MUITO azar.
Se não postar? Vai ser muito pior. Mas você não faria isso.
Você não recusaria o pedido de uma morta, né?”

Vocês devem estar achando que eu sou muito bobo ou que estou pregando uma peça em vocês. Depois de ver o vídeo abaixo, vão entender porque eu tive que fazer isso.
E por favor, COMENTEM!
http://www.youtube.com/watch?v=Q-nqzPihkMI