domingo, 15 de fevereiro de 2009

Resenha: South Park e a Filosofia

Sinopse: Neste livro, 23 estudiosos reúnem-se para desvendar as questões filosóficas levantadas pelos personagens, enredos e pensamentos da polêmica série animada South Park, desenho criado por Matt Stone e Trey Park e conhecido em todo o mundo por satirizar e criticar religiões, políticos, celebridades e a sociedade norte-americana, usando e abusando de palavrões.

Análise: South Park e a Filosofia é um título da coleção da editora Madras que explora grandes fenômenos da cultura pop sob a ótica da filosofia. A casa publicadora lançou na mesma linha outros volumes como Star Wars e a Filosofia, Super-Heróis e a Filosofia, Harry Potter e a Filosofia, entre outros até mais absurdos como Metallica e a Filosofia.

Todos os livros são coletâneas de artigos acadêmicos, mas em tom informal, que analisam diversas questões filosóficas desses fenômenos cheio de fãs. Em South Park e a Filosofia são 23 artigos de diversos estudiosos que se propõe a estudar coisas como lógica, retórica, religiões, política e, até mesmo, a comicidade da série.

Os artigos tem linguagem fluída e simples. A edição de texto do organizador da coletânea, Robert Arp, é excelente, dando a todos os artigos um ritmo parecido e bem organizado. Cada texto aborda South Park sobre aspectos diferentes dos demais, usando alguma situação da série como porta de entrada para o assunto a ser discutido. Além disso, todos os exemplos do livro são com personagens de South Park, tendo eles acontecido na série ou não.

Curiosamente, o único texto que destoa um pouco dos demais é o do próprio Robert Arp: “A Defesa Chewbacca: Uma lição de Lógica em South Park”, onde o autor começa falando do hilário episódio “Chef Aid”, mas rapidamente abandona a série e desenvolve uma argumentação mais voltada para a lógica.

O livro é dividido em seis partes, sendo elas: “Parte Um: Levando South Park a Sério... OK”, onde o humor de South Park é colocado em cheque; “Parte Dois: The Fab Four”, focado nos quatro protagonistas; “Parte Três: A República de South Park”, aqui são analisadas as principais características sociais de South Park; “Parte Quatro: Ética: Cara... Muçulmanos Gays não comem Vitela”, os estudiosos tentam encontrar alguma ética e moral em South Park; “Parte Cinco: Quem diabos é você? Prostitutas, Robôs e Corpos”, questões de identidade são abordadas nessa parte; e “Parte Seis: Satanás, Sofrimento, Supermelhores Amigos e Música”, o último capítulo compilando tudo o que faltou a ser dito.

As principais linhas de pensamento citadas no livro são, naturalmente, as de Platão e Aristóteles, além de Kant, Hume, Schopenhauer (em menor escala). Mas o mais importante é o utilitarismo de John Stuart Mill, com o seu princípio da utilidade, que está bem presente na obra.

O capítulo que mais se destaca, sem dúvida alguma, é “Os Gnomos Invisíveis e a Mão Invisível: South Park e a Filosofia Libertária”, de Paul A. Cantor. O texto, muito bem escrito, explora as abordagens do capitalismo no clássico episódio “Gnomes”. A impressão que se tem é que o autor já estudava o episódio em suas aulas e palestras em universidades e, portanto, tem mais background para desenvolver sua argumentação com maestria.

Os destaques negativos ficam para algumas coisas da edição brasileira. Apesar da tradução e da adaptação do texto o deixá-lo bem fluente, esses trabalhos apresentam alguns erros crassos como no capítulo sobre Kenny, mais especificamente na página 83, onde a aula de “Shop” (mecânica) foi traduzida como “ir as compras”, mesmo com um contexto bem claro para o tradutor: “Kenny parece estar amaldiçoado e toma decisões prudentes para evitar o perigo, como quando escolhe fazer Economia Doméstica em vez de ir às compras(...)”.

Outro problema é no que concerne a revisão. Apesar do livro ter quatro revisores creditados (o que indica no mínimo quatro revisões), diversos errinhos de hifenização e duplo espaçamento podem ser encontrados no decorrer do texto. Entretanto, o pior erro de todos está na página 163, onde a palavra selecionar está grafada como “celecionar”.

Um detalhe que poderia abrilhantar a edição brasileira seria um índice remissivo com os principais nomes de pensadores presentes no livro. Apesar de não ser essencial, esse item seria de grande valia.

2 comentários:

Leonardo Andre Correa disse...

Metallica e a filosofia absurdo?... Metallica é uma das bandas em que mais pode-se encontrar questões filosóficas nas letras... não é só porque é metal que significa apenas bagunça

Grupo OPN disse...

tenho um site de South Park onde você consegue assistir todos episódios online e dublado: Acessem: http://www.southparkbrasileiro.com.br/