segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ensaio sobre a Cegueira: livro e filme



Cuidado, o texto abaixo pode conter SPOILERS!

Como prometido, falarei aqui sobre a adaptação do livro Ensaio sobre a Cegueira em longa-metragem. Antes de mais nada, aproveitem as resenhas: livro (por mim) e filme (pelo Edu).

Bom... o que dizer além de que o filme é maravilhoso? Claro que não é nada bucólico-feliz. Óbvio. O livro e conseqüentemente o filme tratam da deterioração do ser humano, da perda da humanidade.

É engraçado ver como os leitores (seja de texto visual ou verbal) sentem falta de nomes. Uma das grandes dificuldades para algumas pessoas é se relacionar com personagens sem nomes ou passados. Problema inclusive para atores renomados como Sean Penn, que Fernando Meirelles convidou para atuar como o médico, mas não aceitou por esse motivo. Opinião minha: ainda bem! Sou muito mais o Mark Ruffalo.

A falta de nome e passado, na realidade, mostra o quão volátil é essa vida e sociedade que conhecemos. O que importa no filme não é o que aconteceu antes da epidemia, mas, sim, durante ela. Os fatos ocorridos dentro do manicômio são o que importa. Até os personagens sabem disso.

Uma das coisas que mais gostei no filme foram as surpresas. Em primeiro lugar, achei que o filme seria uma grande transposição do livro. Ledo engano. Sem machucar a história do grande Saramago, Meirelles a recontou. Os jogos de imagens (espelhos, reflexos em vidros, luzes a mais, luzes a menos) ficaram ótimos, e criaram o clima de suspense ideal para o que estava por vir.

Achei que todos os cortes na história foram os melhores possíveis. Inclusive em questões como não abordar a falta de água no manicômio, que para o filme teria pouca serventia. E a edição, muito bem executada, revelava as cenas sem exatamente mostrá-las. A cena de estupro, assim, foi chocante, mas ao mesmo tempo assegurou a permanência dos olhos abertos. Algo que muitos podem aprender com esse filme: a violência, por si só, já é chocante o suficiente; não é preciso mostrá-la. Claro que falo isso do estupro por ser mulher e porque esse assunto é muito delicado para nós. Mas a cena foi perfeitamente dirigida, isso é inegável.

Além disso, uma cena que pouco dei atenção no livro e que no filme me emocionou profundamente foi quando as mulheres voltam da ala 3 carregando o corpo morto de uma das companheiras. Muito, muito emocionante.

Por fim, a cena do banho das três mulheres diz todo o resto... e resume muito bem tudo aquilo que o livro, e filme, queriam e conseguiram transmitir.

Uma coisa beeeem bacana é um blog em que Fernando Meirelles (acho que sozinho) escreveu sobre a produção do filme, durante a produção do filme. Vale a pena conferir (só clicar aqui).

Espero que vocês, leitores do Homem Nerd, apreciem tanto essas duas obras como eu apreciei.

8 comentários:

Bia disse...

Mandou bem, cb.
Parabéns à dupla cb-Edu pela cobertura dessas obras tão importantes!
Beijo da Bia

Edu Fernandes disse...

Obrigado, Bia!
Carla, eu já estava ficando angustiado esperando saber suas impressões!

Frávia Flom Hell disse...

nem me toquei que eles não tinham nome! o sean penn é fresco mas eu curto mais ele que o ruffalo

gostei muito do filme e das resenhas

mas pra mim a cena mais emocionante é quando ela conhece o cachorrinho

Carla Bitelli disse...

Eu só não quis comentar, mas digo agora, que achei as narrações em off desnecessárias e dispensáveis. Elas inclusivem estragaram, pra mim, a curtição das cenas que narravam. Achei esse um dos pouquíssimos defeitos do filme.

Anônimo disse...

Adorei o filme. Não entendi o pq da crítica internacional ter tido uma opinião contrária. Não achei o filme deprimente. Achei construtivo, interessante emcionante e mostra a degradação da sociedade em que vivemos. As pessoas só se preocupam com o que não deveriam se preocupar...

eduardochicharo disse...

Creio que tenha comentado o filme criticamente (de forma negativa) é porque já está contaminado pela "cegueira branca".
Acho que a falta de nomes dos personagens não é totalmente gratuita; é para chocar o leitor/espectador e fazer se observar e nomear os personagens com seus nomes. O médico pode ter o mesmo nome do médico que assiste... a recpcionista... os nomes podem ser eu, você, nós...

Creio que já observamos tal cegueira no nosso cotidiano... no jornal "O Globo" de alguns anos atrás, saiu uma reportagem num dia dos namorados... um casal feliz da vida, sentado na praia da Urca e ao lado o corpo de um menino coberto por um saco preto... vemos tudo aquilo que olhamos...

Tem horas que gostaria de ter a "cequeira branca" pois doi na alma ver certas coisas... como diz o ditado "o que os olhos não "olham" o coração não sente"... A ferida deve ser bem menor para quem só olha do que para quem vê...

Ainda há esperança de que todos tenham a sua visão de volta... que não só vejamos o mundo...

Anônimo disse...

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